Categoria: opinioes

  • DISPUTA POLÍTICA FAVORECE ATAQUES COM RECURSO A DESINFORMAÇÃO

    DISPUTA POLÍTICA FAVORECE ATAQUES COM RECURSO A DESINFORMAÇÃO

    O Comunicólogo e Escritor angolano Bento dos Santos fez saber que os contextos de intensa disputa política favorecem o surgimento de ataques com recurso a desinformação.

    Bento dos Santos fez o pronunciamento por meio de um vídeo com o tema: “Disputa Política Favorece Ataques com Recurso a Desinformação” publicado no YouTube, tendo afirmado que: “Angola vive um quadro de intolerância psicológica que tem promovido a violência, sendo este um dado preocupante para o nosso país”.

    O Comunicólogo e Escritor alega que “a crise económica com as suas vastas consequências tem posto à prova o funcionamento das instituições, criando cenários, que fazem o país enfrentar o surgimento de milícias digitais que utilizam as notícias falsas ou “fake news” para envenenar a política com ódio, medo e mentira”.

    Segundo o Comunicólogo e Escritor Bento dos Santos trata-se de um fenómeno recente, viabilizado por outro elemento do tempo presente, a Internet com as plataformas digitais. O Escritor afirma que as plataformas digitais são recursos que possibilitam a divulgação da comunicação que infelizmente muitas vezes também permitem a reprodução e disseminação de informações falsas e distorcidas que ganham a aparência da realidade. 

    As consequências negativas da conjugação entre às notícias falsas também conhecidas como “fake news” e às plataformas digitais são incalculáveis, uma vez que o debate público é distorcido, corrompendo-se a liberdade de expressão e o direito à informação, dois dos principais trunfos da democracia ante os demais sistemas políticos.

    Não se pode admitir que abusos sejam válidos como forma de fazer política. É imprescindível criar mecanismos efectivos para impedir a difusão das fake news.

    Não podemos permitir que a linguagem do ódio asfixie o debate plural, indispensável em qualquer democracia. Para tanto, o diálogo, o respeito às divergências e às regras legais serão de suma importância nos próximos anos.

    Nós temos o direito de nos expressar, mas não com desinformação. Ao contrário, temos que empoderar uma média livre como sendo um dos pilares na luta contra a desinformação.

    As instituições do estado e a própria sociedade deve apoiar todas iniciativas contra a desinformação. Para tal, o pluralismo ético é muito importante. 

    Temos que transformar as nossas sociedades em sociedades mais fortes, mais resilientes, mais engajadas, e todas visando o bem comum.

    A desinformação é global e é local ao mesmo tempo. Por isso, devemos estar envolvidos no combate a desinformação, pois, infelizmente qualquer um pode ser a próxima vítima da desinformação. 

    Lutar contra a desinformação é fundamental para que possamos defender a democracia”, enfatizou o Comunicólogo e Escritor Bento dos Santos.

  • A COMUNICAÇÃO QUE TODOS DIZEM SABER FAZER É UM CANCRO PARA ÀS ORGANIZAÇÕES

    A COMUNICAÇÃO QUE TODOS DIZEM SABER FAZER É UM CANCRO PARA ÀS ORGANIZAÇÕES

    Uma dor no peito pode lhe alertar sobre a necessidade de ter de buscar pelos serviços médicos. A tosse persistente pode ser sinal de problemas cardíacos, pois na maioria das vezes existe um excesso de líquido nos pulmões. Esse acúmulo de líquido pode ser causado por uma insuficiência cardíaca congestiva, responsável pela tosse e pelo chiado. 

    A dificuldade de respirar durante o sono se refere a apneia obstrutiva do sono, uma condição que faz com que o paciente pare de respirar por alguns instantes durante a noite. 

    Nos casos referenciados no primeiro e no segundo parágrafo, é possível perceber que recorrendo aos serviços de um arquitecto ou de um jurista para o tratamento médico, certamente seria um absurdo pois um arquitecto ou um jurista não poderá prestar o serviço adequado a quem precisa de serviços médicos de especialidade. 

    Alguém que necessita dos serviços de especialidade de um cardiologista, que é um profissional que trabalha no diagnóstico e tratamento de doenças do coração e sistema circulatório, não se submete para ser assistido por um arquitecto ou por um jurista.

    Num segundo caso, imagina alguém que tem de construir um edifício. Alguém que necessita dos serviços de engenharia com práticas especializadas que envolvem o conhecimento técnico e científico para planear, projectar, construir e manter estruturas na área da construção civil. A engenharia é uma disciplina essencial para garantir a qualidade, segurança e eficiência em qualquer projecto.

    Esses serviços abrangem uma ampla gama de actividades, desde a elaboração de projectos arquitetónicos até o gerenciamento completo da obra. Os engenheiros trabalham em estreita colaboração com arquitectos, designers e outros profissionais do sector para garantir que todas as etapas sejam executadas adequadamente. No entanto, imagina que, para a execução, destes serviços sejam são atribuídos a um economista ou a um gestor de recursos humanos.

    As hipotéticas situações suscitadas nos parágrafos anteriores tem sido o dia-dia vivenciado nas diversas instituições, empresas públicas e privadas do mercado angolano. A suposta facilidade da produção de conteúdos que podem ser divulgados através das diferentes ferramentas de comunicação com base nas tecnologias de informação e comunicação, entre as quais se destacam as redes sociais, tem sido um dos principais erros mais comuns que as organizações cometem pela falta de selecção de pessoal qualificado para o desempenho das funções no campo da comunicação e do marketing.

    A comunicação é um ato diário e presente em todos os locais do planeta. Por se tratar de uma acção que está sempre presente na vida das pessoas, é compreensível que o ato de comunicar tenha implicações em áreas de estudo, pesquisa, especializações e, posteriormente, em diversas profissões. 

    Devido a generalidade que a comunicação aparenta com várias facetas envolvidas na comunicação e no marketing no contexto das organizações, geralmente denota-se que muitas pessoas se acham serem plenos conhecedores da natureza e do escopo das funções do campo da comunicação.

    Em Angola o campo da comunicação encontra-se invadido, usurpado pela promiscuidade da falta de ética profissional. O amadorismo e o oportunismo fortemente expandido com a revolução tecnológica tem sido absorvido pelo nepotismo e o tráfico de influência, fazendo com que os profissionais da área sejam preteridos, substituídos por pessoas sem qualificações e habilidades para o sector. 

    Actualmente muitos profissionais de comunicação são comparados e equiparados por quem se predispõem a fazer uma postagem no feed de notícias, uma acção que a grande maioria faz sem ter de aplicar as técnicas rebuscadas para transmitir a mensagem. Todavia, o que é imprescindível e que seria mais correcto no contexto das organizações é que as acções sejam feitas por profissionais que conhecem os meandros da comunicação estratégica. Profissionais que reconheçam as características do meio, Facebook, Instagram, entre outras redes socias. 

    O conhecimento na área da comunicação permite que elementos simples possam ser usados para determinar a clareza do conteúdo e, portanto, o engajamento que venha a ser conquistado. 

    Entretanto, na busca do protagonismo, o pensamento e acção dos amadores do campo da comunicação tem tentado mostrar tudo o que sabem sem competências específicas, mas com o objectivo de preservar a oportunidade que lhe surgiu na área da comunicação. 

    São milhares os oportunistas que se apoderaram do campo da comunicação. E um entre os vários problemas que causam, é o cancro do amadorismo que consiste na impossibilidade alcançarem os objectivos da comunicação e marketing perante ao improviso que geralmente é visível pela péssima forma que a grande maioria das organizações públicas e privadas comunicam no mercado angolano. 

    O amadorismo prende-se na nova febre do jogo do acaso, o achismo, que na sua tentativa de transparecer profissionalismo ofusca a mensagem a ser passada

    O conteúdo muitas vezes não depende do vasto conhecimento que se deseja demonstrar e isso acaba pondo em cheque a clareza do que está a ser dito. O pensamento do profissional, em contrapartida, é cirúrgico em sua abordagem. Ele foca no objectivo do conteúdo e utiliza as ferramentas necessárias para que seja cumprido. Tal como acontece com demais áreas do saber, o campo da comunicação não está isento da necessidade de absorver os profissionais da área. Assim como acontece com a medicina, o direito, as engenharias, etc, que o primeiro passo para ser reconhecido como um especialista, antes de mais deve se submeter a formação, no campo da comunicação também é necessário frequentar os cursos credenciados para o efeito e prestar as provas conforme os critérios e pressupostos para à obtenção da especialidade. 

    A comunicação é uma ciência, e como tal possui um campo de estudo que engloba os processos de produção, transmissão e recepção de mensagens em diferentes meios e contextos. 

    Os profissionais da área são dotados de competências que lhes permite desempenhar as funções com base no contexto e nas dinâmicas culturais, políticas e económicas, além de desenvolverem estratégias para informar, persuadir ou entreter os distintos públicos. 

    Enquanto os verdadeiros profissionais de comunicação não se emanciparem, o campo da comunicação no mercado angolano vai continuar a proliferar o cancro da desinformação informativa.

  • INTERAÇÃO ANTAGÓNICA. CAFEÍNA REDUZ A EFICÁCIA DE ALGUNS ANTIBIÓTICOS

    INTERAÇÃO ANTAGÓNICA. CAFEÍNA REDUZ A EFICÁCIA DE ALGUNS ANTIBIÓTICOS

    Segundo um novo estudo, conduzido por uma equipa de investigadores liderada pela portuguesa Ana Rita Brochado, alguns ingredientes da nossa dieta diária incluindo a cafeína, podem influenciar a resistência das bactérias aos antibióticos.

    O café anima-nos e ajuda-nos a ter um melhor desempenho em diversos tipos de actividades. Infelizmente, a cafeína presente no café também pode estimular as bactérias que vivem no nosso organismo, tornando-as mais resistentes aos antibióticos.

    Esta é a descoberta inesperada de uma equipa de investigadores da Universidade de Tubingen e da Universidade de Wurzburg, liderada pela engenheira biológica portuguesa Ana Rita Brochado.

    Bactérias como a Escherichia coli usam cascatas regulatórias complexas para reagir a estímulos químicos do seu ambiente directo, o que pode influenciar a eficácia dos medicamentos antimicrobianos.

    Num rastreio sistemático, a equipa investigou como 94 substâncias diferentes, incluindo antibióticos, medicamentos prescritos e ingredientes alimentares, influenciam a expressão de reguladores genéticos chave e das chamadas proteínas de transporte da E. coli.

    Estas proteína funcionam como poros e bombas no ambiente bacteriano, e controlam que substâncias entram ou saem da célula.

    Os resultados do estudo, que foram apresentados num artigo recentemente publicado na LOS Biology, mostram que várias substâncias podem influenciar, de forma subtil, mas sistemática a regulação genética nas bactérias.

    “Os nossos resultados sugerem que mesmo substâncias quotidianas sem um efeito antimicrobiano direto, por exemplo, bebidas com cafeína, podem ter impacto em certos reguladores genéticos que controlam as proteínas de transporte, alterando assim o que entra e sai da bactéria”, diz Christoph Binsfeld, microbiólogo da Universidade de Würzburg e primeiro autor do estudo, citado pela Sci News.

    “A cafeína desencadeia uma cascata de eventos, começando com o regulador genético Rob e culminando na alteração de várias proteínas de transporte na E. coli, o que por sua vez leva a uma redução da absorção de antibióticos como a ciprofloxacina”, acrescenta Rita Brochado. “Como resultado, a cafeína enfraquece o efeito deste antibiótico.”

    Os investigadores descrevem este fenómeno como uma ‘interação antagónica.

    Este efeito de enfraquecimento de certos antibióticos não foi detetável na Salmonella enterica, um patógeno intimamente relacionado com a Escherichia coli., o que mostra que mesmo em espécies bacterianas semelhantes, os mesmos estímulos ambientais podem levar a reações diferentes, possivelmente devido a diferenças nas vias de transporte ou na sua contribuição para a absorção de antibióticos.

    Os resultados do estudo podem ter implicações em futuras abordagens terapêuticas no tratamento com antibióticos que deveriam incluir não só a dosagem e tipo de medicamentos, mas também a dieta dos pacientes durante a terapia.